A crise financeira que tem abalado diversas empresas chegou com força total ao mercado automobilístico. Se há menos de um ano e meio, os consumidores brasileiros eram bombardeados por anúncios de taxa de juros abaixo de 2% ao mês, parcelamentos em até 84 vezes, vendas sem entrada e rápida liberação de crédito hoje a situação mudou.
A falta de crédito e o excesso de veículos disponíveis fizeram com que as lojas perdessem o interesse por carros usados como parte do pagamento na compra de um novo. Quem chegar hoje na concessionária e oferecer o usado como entrada, provavelmente voltará para casa sem fechar negócio.
Para se ter uma idéia da situação dados apurados por um site especialista em economia, os valores praticados no mercado para a aquisição de veículos usados já estão entre R$ 5 mil a R$ 8 mil abaixo da tabela. Por exemplo, um carro que valia R$ 20 mil há dois, três meses, hoje vale R$ 12 mil.
Isso acontece porque os estoques das concessionárias estão cheios e para conseguir vender tantos veículos usados, montadoras, concessionários e revendedoras independentes apelam para as promoções.
A General Motors, por exemplo, resolveu organizar neste fim de semana um grande feirão em São Paulo, com foco em veículos seminovos. Já a Ford, investiu em taxas de juros promocionais em toda a rede de concessionárias. No caso dos shoppings de automóveis, onze em São Paulo decidiram se juntar em um feirão até o dia 7 de dezembro. A investida envolve 18 mil veículos seminovos.
Um dado que chama a atenção e pode favorecer aquele consumidor que quer comprar um zero, mas pode esperar um tempo é que se o quadro não melhorar, os preços dos carros de entrada zero quilômetro podem cair.
Na análise de Olivier Girard, a cotação das commodities em baixa vai gerar a redução dos custos das montadoras, já que 30% de um carro é aço. Isso implicará na redução de custos na cadeia automobilística, o que abrirá margem para descontos.
Segundo Girard, o preço dos carros populares ficará mais barato e o valor dos importados aumentará, por causa do novo patamar de cotação do dólar frente ao real.
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